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Professor Wagner Verchai de Lima

——————————————>"Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção." Paulo Freire (wverchai@yahoo.com.br)

Empresa garante identificar um bom professor com um questionário

Companhia americana afirma poder prever, pela análise das respostas a algumas perguntas, se um docente pode ser eficaz mesmo antes de entrar em sala de aula

  • The Washington Post
  • [25/05/2016]
  • [17h57]

Acontece em milhares de escolas a cada ano: vários professores se apontam para uma vaga de trabalho. Como é possível saber qual deles não só parece promissor, mas terá realmente um bom desempenho em sala de aula?

Essa é a pergunta que a empresa TeacherMatch, do Estados Unidos, garante poder responder por meio de questionários.

A empresa de quatro anos de idade diz que a sua ferramenta Educadores Inventory Professional pode prever com precisão se um candidato será capaz de melhorar a performance dos alunos.

O conceito é controverso já que garante identificar se uma pessoa vai ser bem-sucedida antes mesmo de entrar em sala de aula. Nos Estados Unidos, as instituições de ensino procuram, há anos, meios científicos para julgar melhor se os candidatos à vaga de docente serão eficazes com base no que mostram na sua apresentação à banca de seleção em sala de aula.

Para o Conselho Nacional de Professores de Qualidade do país, é impossível julgar se o sistema da TeacherMatch é confiável já que o levantamento utilizado para criar os questionários e os algoritmos utilizados são segredos de propriedade.

Um dos fundadores da empresa Ron Huberman disse que, para criar o questionário, a corporação contou com a ajuda de pesquisadores que analisaram pilhas de dados escolares para buscar professores que, de fato, tivessem conseguido melhorar o desempenho dos alunos em testes padronizados. O levantamento também reuniu informações de professores cujos alunos fracassaram nessas mesmas avaliações.

Em seguida, a empresa pesquisou ambos os tipos de professores, procurando padrões na forma como eles responderam a perguntas como, por exemplo, sobre como se deve reagir ao mau comportamento de estudantes ou como poderiam ensinar um determinado conteúdo. Esse trabalho se tornou a espinha dorsal do inventário agora utilizado em dezenas de lugares.

Huberman enfatizou que TeacherMatch não recomenda que as escolas contratem apenas com base no resultado de pesquisa do candidato, mas sugere que ela tenha parte importante na decisão.

Em uso

Jason Hammond, responsável pelo recrutamento de professores de escolas públicas no Arizona, já começou a utilizar o sistema da TeacherMatch. Ele disse que as pontuações são usadas para classificar os candidatos. “Quanto maior a pontuação, o candidato será analisado em primeiro lugar”, afirmou.

A instituição utiliza o questionário do TeacherMatch há três anos, em uma tentativa de reter melhores professores. Desde então, explicou Hammond, tem havido um queda significativa na rotatividade dos docentes, e ele afirma identificar uma correlação entre a pontuação no questionário e a eficácia de um candidato em sala de aula.

“Na procura por novos professores, nós estamos nos afastando da intuição, ou da postura de buscar apenas preencher a vaga, e partindo mais para a escolha com base científica”, declarou.

fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/educacao/empresa-garante-identificar-um-bom-professor-com-um-questionario-afidko3s3w6x5p0bapl1t9edl

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Escolas “que não existem” estão entre as primeiras no ranking do Enem

  • 22/08/2015
  • 16h00
  • Marcela Campos entrevista Mateus Prado, assessor pedagógico

Texto publicado na edição impressa de 23 de agosto de 2015

Para o assessor pedagógico Mateus Prado, fundador da ONG Henfil Educação e Sustentabilidade, de São Paulo, e autor de materiais didáticos sobre o Enem, a disputa por novos estudantes faz com que algumas escolas criem artifícios nada pedagógicos para garantir uma pontuação melhor nas provas.

No Paraná, a lista das escolas mais bem colocadas no Enem 2014 mostra que existem diferenças significativas nas notas de unidades diferentes da mesma instituição de ensino. Essa situação se repete no restante do país?

Em São Paulo, temos o caso da primeira colocada no país, o Colégio Objetivo. As duas unidades do Objetivo (a que ficou em 1.º lugar e a que figura na posição 569) têm o mesmo endereço. O colégio separa salas desde o primeiro ano do ensino médio e traz para elas estudantes das suas franquias que tiram nota maior, dá bolsas para esses alunos. As duas unidades do Objetivo têm o mesmo professor, o mesmo horário, tudo igual, mas CNPJs diferentes. Das dez primeiras colocadas neste ano, oito adotam esse procedimento. Isso acontece no Brasil todo.

Que estratégias são usadas por essas escolas para selecionar os alunos das “unidades especiais”?

Simulados. Eles pegam os alunos que têm melhores notas nos simulados. Primeiro captam alunos internamente e depois externamente, tirando estudantes de outras escolas particulares ou de escolas públicas, com bolsas para os mais bem posicionados em simulados abertos no 5.º e 9.º anos do ensino fundamental e em provas no primeiro, segundo e terceiro anos do ensino médio. A bolsa não é para ajudar o aluno, é para ajudar a escola.

A imprensa e os colégios erram ao construir rankings?

As escolas erram quando fazem a propaganda. Essa estratégia engana alguns pais, mas a ampla maioria não faz a matrícula por esse critério. Até porque a ampla maioria não vai conseguir matricular o filho na escola divulgada como primeira colocada.

Como a avaliação poderia refletir de fato o que a escola acrescentou ao aluno?

Se houvesse uma prova com mesma força do Enem no 9.º ano do ensino fundamental, seria possível ver quanto o aluno aprendeu na escola. O correto é mostrar onde estou e aonde cheguei.

Gazeta do Povo

Vaquinhas on-line priorizam educação, mas faltam projetos

Cladilson Nardino e a rede de voluntários da Casa da Juventude do Paraná não conseguiram juntar R$ 19 mil para um seminário
Cladilson Nardino e a rede de voluntários da Casa da Juventude do Paraná não conseguiram juntar R$ 19 mil para um seminário

Pessoas dizem estar mais propensas a ajudar iniciativas educativas. Sites tentam aproveitar esse cenário para angariar doações

Publicado em 03/06/2014 | AGÊNCIA ESTADO

No mundo das vaquinhas on-line, o chamado crowdfunding, a educação é a área em que as pessoas mais querem doar dinheiro. No entanto, é também aquela em que há um menor número de projetos. É o que mostra a pesquisa Retrato do Financiamento Coletivo do Brasil, do site Crowdfunding Catarse.

Um questionário foi apresentado a 3.336 pessoas entre agosto e setembro do ano passado. Na pesquisa, educação ficou à frente em uma lista de 26 áreas, que incluíam religião, negócios sociais, mobilidade e transporte e ciência e tecnologia. O engajamento na internet para ajudar projetos voltados ao ensino ou ao financiamento de estudos é tão grande que plataformas de financiamento coletivo direcionadas exclusivamente a propostas de educação vêm sendo criadas.

Nos Estados Unidos, a DonorsChoose (em tradução livre, “doadores escolhem”) faz enorme sucesso com projetos propostos pelos professores de escolas públicas. A plataforma existe há mais de dez anos e é uma das mais experientes no ramo de crowdfunding. Ao todo, já arrecadou mais de US$ 243 milhões para mais de 458 mil projetos, ajudando 11,4 milhões de estudantes de 55 mil escolas.

Segundo o pesquisador do Massachusetts Institute of Technology (MIT) e especialista em crowdfunding Rodrigo Davies, agora novas plataformas estão surgindo em países onde o sistema público de educação não tem recursos suficientes. “No Peru, por exemplo, a PeruChamps arrecada dinheiro para promissores jovens que não têm recursos para realizar seus projetos”, conta.

Universitários

No Brasil, a primeira plataforma de crowdfunding voltada à educação foi fundada por três estudantes universitários. Gabriel Richter, Pedro Thomas e Renan Ferreirinha montaram, no ano passado, o site O Formigueiro.

Inspirada no Donors­Choose, a plataforma só traz projetos de escolas públicas e com baixo custo de execução, de até R$ 2 mil. Em nove meses, a organização que nasceu despretensiosamente em um sofá de uma cafeteria no Rio de Janeiro já juntou R$ 8 mil para seis projetos e ajudou 250 crianças e jovens de diversas partes do país.

“A gente lançou o site em agosto, com diversas dúvidas se ia funcionar, mas está dando muito certo. O meu sonho é que cada escola pública brasileira tenha ao menos um projeto financiado pelo O Formigueiro”, afirma Ferreirinha, 20 anos. Ele é estudante do 2.º ano da Universidade Harvard e pretende, no futuro, trabalhar com educação. “Eu fiz uma escola pública de qualidade semelhante às mais caras do Rio. Fui transformado pela educação e quero multiplicar isso.”

Em maio, ele viajou para Sobral, no Ceará, e estabeleceu a primeira parceria do site com uma rede de ensino público. Agora, todas as escolas da rede municipal da cidade do sertão nordestino podem inscrever projetos educacionais para serem financiados coletivamente.

É só doar

Há vários sites de crowdfunding ajudando diversas causas. Projetos em educação podem ser encontrados em Catarse (www.catarse.me), Juntos (www.juntos.com.vc), Benfeitoria (www.benfeitoria.com), Kickante (www.kickante.com.br), entre outros.

Legislação restringe o ensino a distância no país

Modelo consolidado na Europa, curso on-line gratuito precisa de mais investimento e reconhecimento no Brasil

Publicado em 21/10/2014 | GISELE BARÃO, ESPECIAL PARA A GAZETA DO POVO

O Massive Open Online Cour­se (MOOC), curso on-line gra­tuito para um número ili­mitado de pessoas, ainda pre­cisa de investimento e re­for­mas legislativas para se esta­bele­cer no Brasil. Essa mo­dali­dade de ensino é uma das tendências debatidas no 20.° Congresso Internacional Abed de Educação a Distância, rea­lizado no início do mês em Curi­tiba pela Associação Brasi­lei­ra de Educação à Distância (Abed).

Os MOOCs já são consolidados na Europa, por exemplo, onde os certificados podem valer créditos, no modelo ECTS (European Credit Transfer System), consolidado com o Tratado de Bologna – acordo de cooperação pedagógica assinado por países europeus em 1999. “Significa que os estudantes podem utilizar esses créditos para eliminar disciplinas em cursos formais, de graduação ou mestrado, por exemplo, ou ainda levá-los para cursos de instituições e países que fazem parte do Tratado”, explica Andreia Inamorato, pesquisadora e consultora em educação aberta da DigiLearn.

Segundo ela, a legislação da educação à distância no Bra­sil ainda não permite cursos de graduação totalmen­te on-line, sem o elemento presen­cial, que geralmente consiste na presença dos estudantes em polos das universidades algumas vezes por semana. Assim, para que o brasileiro possa aproveitar seu certificado de forma semelhante ao modelo europeu, seria necessário fazer reformas na legislação. “No momento, nesse formato 100% on-line, o que é permitido são os cursos de extensão, e esse pode ser um dos caminhos iniciais para os MOOCs no Brasil”, diz Andreia.

Na avaliação dela, as discussões sobre esse tipo de curso estão se popularizando no meio acadêmico. “Com o tempo, as universidades terão suas próprias estratégias de oferta de MOOCs, o que poderá contribuir para que o país produza os seus próprios e não dependa de traduções de MOOCs estrangeiros”, diz.

A UFPR é uma das instituições que planejam dar mais espaço para essa modalidade de ensino, segundo a coordenadora de Integração de Políticas de Educação à Distância da universidade, Marineli Meier. “Há pesquisas sendo desenvolvidas nessas temáticas e pretende-se, até 2015, iniciar a oferta de MOOC direcionado à comunidade acadêmica e externa”, conta. Em 2014, a previsão é de que a UFPR chegue a 14 mil alunos nos mais de 30 cursos de educação à distância — entre cursos de graduação, especialização e extensão.

UFPR abordará ensino aberto e à distância

Outra tendência debatida no congresso da Abed são os Re­cursos Educacionais Aber­tos (REA), materiais disponibilizados gratuitamente – seja na internet, de modo impresso ou por mídias como CD, com licença de uso. Essa licença permite reusar, revisar, remixar e redistribuir o conteúdo. Hoje, as universidades investem nessa estratégia para ampliar o acesso a materiais usados pelos professores.

O lançamento do Programa Paranaense de Práticas e Recur­sos Educacionais Abertos no Re­positório Digital da UFPR e da Universidade Tecnológica Fe­deral do Paraná (UTFPR) acon­tecerá no 1.º Seminário de Edu­cação Aberta, dias 24 e 25 de novembro. Uma das estratégias do projeto é criar um repositório para que os professores disponibilizem materiais educativos que usam em aula e pesquisa. O conteúdo, em formato di­gi­tal e com licença aberta, es­ta­rá disponível para qualquer pessoa. Outra proposta é dis­seminar as práticas educa­cionais abertas.

“Isso envolve que os professores, alunos e técnicos administrativos incorporem as práticas educacionais abertas, como a utilização de REAS e MOOCs na prática pedagógica”, diz Marineli Meier, coordenadora do REA na UFPR.

A programação do evento estará disponível em breve no site www.cipead.ufpr.br.

MAIS DA METADE DOS ALUNOS NÃO APRENDE O QUE DEVERIA

Estudantes do 2º e 3º ano não compreendem o conteúdo em disciplinas básicas. Desigualdade no ensino entre as regiões do país ainda é grande

Publicado em 26/06/2013 | JÔNATAS DIAS LIMA

O resultado da Prova ABC, divulgado ontem pelo movimento Todos pela Educação mostra que mais da metade dos alunos brasileiros não aprende o que se espera em matemática, leitura e escrita até os 8 anos de idade. A pesquisa também põe em evidência a discrepância entre a aprendizagem dos alunos de diferentes regiões do país.

Entre os estudantes do 3.º ano do ensino fundamental, por exemplo, somente 23,4% dos alunos da rede pública na Região Norte superou a faixa do que se considera o nível de habilidade adequado na leitura de textos. No Sudeste, esse número salta para 52,8%. Outros dados também mostram desigualdade semelhante em habilidades matemáticas e de escrita. Em comparação com o resto do país, o Paraná alcançou índices medianos.

A avaliação é promovida por uma parceria entre o Todos Pela Educação, a Fundação Ces­­granrio, o Instituto Pau­­lo Montenegro/Ibope e o Inep. Aplicado no final de 2012, foram avaliados 54 mil alunos de 1,2 mil escolas públicas e privadas distribuídas em 600 municípios brasileiros. Metade da amostra é de alunos do 2.º ano e a outra metade do 3.º ano, ano considerado limite para a alfabetização de acordo com o recém-lançado Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic).

São usadas como referência as escalas do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). A partir dessa escala, a Prova ABC considera como nível de proficiência adequado o nível 175, tanto na escala de leitura como de matemática. Como o Saeb não avalia a habilidade de escrita, foi utilizada uma escala própria, de 0 a 100, dentro da qual o índice de aprendizagem considerado adequado partiria dos 75 pontos.

Matemática

Em relação ao nível de proficiência dos alunos em matemática, 60% dos estudantes paranaenses da rede pública chegaram apenas à faixa mais básica de domínio. Outros 33,6% alcançaram um desempenho intermediário e apenas 6,4% aprenderam o esperado. Esse último índice é o mais baixo da Região Sul, mas superior aos resultados de outros dez estados. A média nacional da rede pública foi de 12% dos alunos com índice superior a 175 pontos.

Considerando os alunos do 3.º ano, o porcentual de alunos com proficiência adequado é expressivamente maior. No Paraná, 31,4% ultrapassaram os 175 pontos.

Prova ABC expõe carências do sistema brasileiro

Desigualdades sociais e pouca atenção à educação infantil são causas do índice baixo, dizem analistas. Para Priscila Cruz, diretora executiva do Todos pela Educação, o resultado comprova, mais uma vez, a dificuldade do sistema educacional brasileiro em proporcionar um nível de aprendizagem adequado a, pelo menos, a maior parte dos estudantes. “Temos menos da metade das crianças com essas três competências consolidadas, e elas são muito importantes para que a criança continue a aprender nos anos seguintes”, diz Priscila, referindo-se às habilidades de leitura, escrita e matemática.

Para a professora do curso de Pedagogia das Faculdades Integradas do Brasil (UniBrasil), Meire Donata Balder, os números também não surpreendem, já que reforçam o que outros exames do MEC ou o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) têm mostrado há anos.

Para ela, uma das causas que mais influenciam os baixos índices da educação básica é pouca atenção dada à Educação Infantil até alguns anos atrás. “A educação infantil ainda é vista mais como um direito à mãe que trabalha do que um direito da criança, que precisa de acompanhamento escolar para se desenvolver. Isso precisa mudar”, diz.

“Iniciativa acertada”

O consultor educacional Renato Casagrande concorda com a importância da educação infantil no processo de alfabetização e considera o Pnaic uma iniciativa acertada do governo, mas cujos resultados só devem aparecer dentro de pelo menos três anos.

Sobre a diferença nos índices educacionais dos estados, Casagrande diz que se trata de um problema diretamente atrelado à desigualdade social. “É muito difícil fazer gestão da educação num país tão grande como o nosso, principalmente contando com regiões como o Norte e o Nordeste, que apresentam indicadores ruins em praticamente todas as áreas”, diz.

A respeito do desempenho do Paraná, o educador lamenta a falta de destaque do estado, com desempenho inferior ao de seus vizinhos no Sul.

Para ele, embora Curi­tiba sempre alcance boas posições no Índice de Desenvolvimento da Edu­cação Básica (Ideb), o restante do estado não acompanha a capital. Segundo o consultor educacional, a solução passa por uma melhoria contínua na formação de professores e gestores escolares.

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Enem 2014 contará com sistema de treino on-line

Alunos de escolas públicas terão acesso gratuito a uma plataforma certificada pelo Inep que traça planos de estudo para os candidatos do exame

Publicado em 29/04/2014 | JÔNATAS DIAS LIMA

 

Estudantes da rede pública interessados em se preparar para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2014 contarão com uma plataforma digital gratuita como ferramenta de apoio. O Geekie Games, iniciativa da start-up paulista Geekie, disponibilizará a escolas públicas de todo o país um software de diagnóstico que identifica fraquezas de aprendizagem, sugere estratégias de estudo e aplica simulados aos candidatos. O sistema deve ficar aberto aos estudantes a partir do fim de maio – quando abrirem as inscrições para o Enem – até o dia do exame.

O Geekie Games (www.geekie.com.br) foi o único projeto dessa modalidade a ser certificado oficialmente pelo Instituto Nacional de Ensino e Pesquisa (Inep) e conta com apoio de divulgação do Ministério de Educação (MEC). No ano passado, o software esteve disponível por apenas 60 dias e registrou 2 milhões de estudantes cadastrados, o equivalente a 40% dos candidatos do Enem que compareceram às provas. Desse total, 600 mil foram considerados usuários ativos, ou seja, cumpriram os planos de estudo propostos pela plataforma. Além disso, a Geekie firmou parcerias com 11 secretarias estaduais de Educação, reunindo participantes de 17 mil escolas públicas do país.

Outro trunfo para o sistema ganhar relevância foi a presença do então ministro da Educação, Aloizio Mercadante, na cerimônia de encerramento da última edição do Geekie Games, quando foi anunciado que a iniciativa seria “difundida ao máximo” pelo MEC e serviria de modelo para futuras licitações de sistemas de treino focados na Prova Brasil e no Pisa, sistema de avaliação internacional de aprendizagem.

Parceria

Tanto o Inep como a Geekie reforçam que não há contrato envolvendo valores financeiros na parceria. “Foi um acordo que não envolveu qualquer transação de dinheiro. O que aconteceu foi que o Inep avaliou nossa tecnologia e atestou nossa qualidade ao nos incluir no Banco de Propostas Inovadoras em Avaliação da Educação Básica”, diz a assessoria da Geekie. Informação confirmada pelo Inep.

“Com um mês de projeto, nós recebemos ligação pa­ra uma audiência com o Mer­cadante. Ele disse: ‘Se é assim como você está falando, eu não quero acesso por apenas por 60 dias, mas quero pelo ano todo, para todo mundo’”, disse Claudio Sassaki, CEO da Geekie, em palestra ocorrida em São Paulo, durante o evento Global Access Through Education (G.A.T.E). Na ocasião, Sassaki contou que, a pedido do ministro, sua equipe teve um encontro com os responsáveis pela elaboração do Enem. Foram questionados sobre o funcionamento do programa e, por fim, ganharam o parecer positivo do MEC.

 

Plano de estudo

 

Sistema se adapta às necessidades de cada aluno, explica CEO

O Geekie Games não é um curso on-line, mas sim um sistema de diagnóstico e estratégia de estudo. Conforme explica seu criador, Claudio Sassaki, a primeira etapa para o usuário é fazer uma prova criada nos moldes do Enem. O simulado diz que nota o candidato tiraria se a prova fosse hoje. A partir desse resultado, o sistema identifica os pontos fortes e fracos do aluno e sugere “missões”, que seriam planos de estudo formados por vídeo-aulas, textos, jogos, exercícios e alternativas pedagógicas disponíveis gratuitamente na internet.

Esse mix de conteúdos é uma das principais inovações do programa. O sistema não propõe material próprio de estudo, mas faz uma busca em toda a rede atrás de opções que se adaptem às necessidades do aluno. “Funciona como um GPS. Ele sugere um caminho, mas, se você quiser ir por outro, ele recalcula a rota. O aluno tem liberdade de escolha e o que a gente faz é recalcular o plano de estudo dele”, explica Sassaki. Entre os fornecedores de conteúdos mais aproveitados pelo Geekie Games estão a Khan Academy e o canal de tevê Futura.

O CEO da start-up Geekie se orgulha dos resultados obtidos em 2013. Segundo ele, foram 3 milhões de vídeo-aulas assistidas, 6,8 milhões de textos de estudo acessados e o tempo médio diário de cada usuário no sistema foi de 2h24. Como exemplo de melhora no desempenho, Sassaki cita o caso de uma aluna de Pernambuco que tirou 433 na primeira prova. Depois de nove planos de estudo, a média saltou para 871. “Essa nota é suficiente para entrar em qualquer faculdade de Medicina do país”, diz Sassaki.

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Uma ideia para melhorar a vida dos outros

Primeiro lugar geral da Fuvest em 1994, o arquiteto Claudio Sassaki (foto) nunca trabalhou na área em que se formou e dispensou oportunidades de trabalho nos Estados Unidos para alavancar a própria start-up no país. Fundada em janeiro de 2012, a Geekie começou com sete pessoas e hoje conta com 72. A equipe original foi escolhida a dedo por Sassaki. “Fomos atrás dos melhores engenheiros de computação formados pelo ITA, na turma de 2011. Eles já foram assediados por Google, Facebook e Microsoft, mas aceitaram trabalhar por muito menos, para participar de um projeto que poderia ter impacto na vida de muita gente”, diz Sassaki.

Via satélite

Eureka transmite aulas gratuitas para todo o país

Kelli Kadanus, especial para a Gazeta do Povo

Aulas ao vivo e gratuitas, via satélite, destinadas a alunos da rede pública que queiram se preparar para o Enem. Essa é a proposta do Eureka Pré-Enem, projeto paranaense que pretende chegar a 10 mil alunos em todo o país. No Paraná, já são 300 estudantes matriculados em Piraquara, Pinhais e Curitiba. Para quem tiver interesse ainda há cerca de 2 mil vagas disponíveis. “O objetivo é levar ensino gratuito para as periferias do país”, explica Jonathan Fernandes, diretor da VBC Telecom, parceira do projeto.

As aulas são transmitidas aos polos de estudo de segunda a sexta-feira, das 19h20 às 22h30, e o material didático é distribuído sem custos. O método de ensino é baseado em resolução de exercícios e esclarecimento de dúvidas enviadas pelos alunos, via e-mail, em tempo real. “Os exercícios dão margem para a explicação teórica”, diz o coordenador pedagógico e idealizador do projeto, professor Marlus Geronasso. Outro diferencial é a interdisciplinaridade das aulas.

O projeto conta com 20 professores e cinco tutores. Os polos de estudo podem ser instalados em qualquer espaço que possua uma televisão e um decodificador. Mais informações no sitehttp://preenemeureka.com.br.

Cursos

Conheça outras iniciativas de preparação gratuita para o Enem:

• Ensino Médio Digital FGV (ensinomediodigital.fgv.br) – programa da Fundação Getulio Vargas com banco de questões e vídeo-aulas em várias disciplinas.

• AppProva (www.facebook.com/appprova) – aplicativo com simulados baseados na regra de correção do Enem, a teoria da resposta ao item (TRI).

• Cursos Iped (www.iped.com.br/enem-gratis) – site com vídeo-aulas. Parte do conteúdo é pago.

Aulas de imersão exigem planejamento

Levar os alunos para vivenciar novas experiências fora da sala de aula requer que professores preparem atividades que reforcem o aprendizado antes, durante e depois do passeio

Publicado em 06/05/2014 | LOISE CLEMENTE, ESPECIAL PARA A GAZETA DO POVO

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A Arena FTD Digital, em Curitiba, é um espaço que permite que jovens e adultos mergulhem em histórias da Biologia, Física, Astronomia e outras áreas

Entre os papéis da escola está fazer com que as crianças conheçam o mundo. Esse é um dos pontos levantados pela professora do curso de Pedagogia da UFPR Verônica Branco sobre a importância de saídas pedagógicas – ou aulas de imersão – como método de ensino. Nesse sentido, os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) destacam ainda que a aprendizagem não deve se restringir ao ambiente escolar. O aprendizado fora dos muros da escola deve ser explorado e é isso que colégios públicos e privados de Curitiba têm feito.

O método de imersão proporciona o contato direto de alunos e professores com realidades distintas, com o objetivo de aprimorar conteúdos previstos no currículo escolar. No entanto, é indispensável que a saída seja programada, com todos os envolvidos cientes do que encontrarão. “Se forem visitar um zoológico, por exemplo, o professor deve pesquisar quais animais existem lá e passar a informação para os alunos”, explica Verônica.

O planejamento deve conter atividades prévias, durante e posteriores ao evento. “Antes do passeio, o aluno deve ser sensibilizado pelo assunto. Na hora, ele deve fazer registros, anotações, fotos e entrevistas. E, quando ele voltar, isso deve ser bem trabalhado e articulado em sala de aula”, afirma a professora do mestrado em Educação da PUCPR Evelise Portilho. Ela pondera que, sem planejamento, a saída pode não ter impacto na absorção de informações. É essencial que o aluno leve um roteiro do que precisará fazer durante o passeio.

A articulação de informações obtidas em sala de aula com a realidade, além de proporcionar melhor aprendizado, contribui para que o aluno conheça a cidade onde vive, desenvolva comportamento social e vocabulário e amplie o acervo motor. Cada local de aula extraclasse deve ser definido de acordo com a idade dos estudantes.

Os alunos de 5.º ano da Escola Municipal Papa João XXIII participam, por exemplo, de passeios ao zoológico e ao Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR). “No Detran, eles têm aulas de comportamento seguro no trânsito, fazem uma prova e ganham uma carteirinha de pedestre”, conta a pedagoga Tânia Mara Wiacek. Já os estudantes mais velhos vão para outros lugares. Os do 8.º ano visitaram, em outubro de 2013, a Mineropar. Para Gabriela Ferreira, Mariana Nadolin e Larissa Carollina Paes, a oportunidade de ver rubis e ouro ajudou a entender a explicação sobre rochas na aula de Ciências. “Aprendemos mais com o que visualizamos”, relatam as estudantes seis meses após o passeio.

As saídas pedagógicas não precisam, necessariamente, ocorrer em locais distantes. Em algumas aulas de Educação Física, os estudantes do Colégio Dom Bosco são levados ao Bosque João Paulo II. “Os alunos aprendem a medir a frequência cardíaca antes e depois da caminhada no bosque”, conta a professora Rachel Lima.

Jovens viajam por filmes em sala tecnológica

Para complementar as aulas, alunos do 9.º ano do Colégio Marista foram levados no mês passado para assistir a dois filmes no espaço tecnológico e multidisciplinar FTD Arena Digital, localizado na PUCPR. Os estudantes viram Dois pedacinhos de vidro e A nave Terra, que trabalham temáticas das disciplinas de Física e Astronomia. Para João Luiz Duda, Guilherme Marinho e Beatriz Mohr, o que chamou mais a atenção foi a imersão em um ambiente que une características de um cinema 4D e de um planetário. “É bacana porque não é só a imagem. É o movimento. Eu não tinha entendido muito bem como o Newton fez o telescópio com os dois pedaços de vidro, mas, depois do filme, ficou mais fácil”, relatou Beatriz. As saídas pedagógicas podem ser direcionadas a uma disciplina ou multidisciplinares. Nesse caso, os filmes também foram assistidos pela professora de Língua Portuguesa Regina Bueno, que decidiu trabalhar os temas dos filmes com os estudantes por meio de atividades de interpretação de texto.

É só chegar

Confira alguns locais que podem ser aproveitados em aulas de imersão:

Paraná

• Estação Mineral Ouro Fino (Campo Largo)

• Centro Histórico da Lapa

• Reserva Ambiental Serelepe (Quatro Barras)

• Centro de Gerenciamento de Resíduos Iguaçu (Fazenda Rio Grande)

• Usina de Reciclagem de Lixo de Curitiba (Campo Magro)

• Parque Estadual de Vila Velha (Ponta Grossa)

• Colônia Witmarsum (Palmeira)

• Centro de Estudos Marinhos da UFPR (Pontal do Paraná)

• Sociedade Thalia (São Luiz do Purunã)

• Sítio Vaca Preta (Bocaiúva do Sul)

• Caminho da Roça (Araucária)

Curitiba

• Memorial Ucraniano

• Museu Oscar Niemeyer

• Praça do Japão

• Sanepar

• Museu da Ordem Rosacruz

• Centro Histórico de Curitiba

• Bosque João Paulo II

• FTD Digital Arena, na PUCPR

Vivência

Saídas pedagógicas dão cor ao aprendizado em sala de aula

De acordo com a professora Evelise Portilho, as saídas pedagógicas “dão um colorido diferente àquelas informações que são passadas em sala para que aquilo se transforme em conhecimento”. E são das cores dos quadros vistos durante uma atividade fora da escola que os alunos do 4º ano da Escola Municipal Nympha Maria da Rocha Peplow se lembram. Mesmo depois de quase cinco meses das visitas à Casa Andrade Muricy e ao Museu Oscar Niemeyer para uma aula de Artes, André Luiz Maluceli Blohen explicou empolgado que o artista “pintava com cores frias e quentes”. E o que chamou a atenção de Bruna de Andrade Farago foram as cores que as luzes formavam em um quadro.

Comissão da Câmara aprova texto-base do PNE

Entre as metas do plano está o investimento de 10% do PIB no setor, nos próximos dez anos. Alguns itens ainda serão analisados separadamente hoje

Publicado em 23/04/2014 | AGÊNCIA ESTADO

A Comissão Especial da Câmara aprovou ontem o texto-base do Plano Nacional de Educação (PNE) que, entre várias medidas, prevê um piso para investimento no setor. A proposta estabelece que, em dez anos o país deverá investir o equivalente a, pelo menos, 10% do Produto Interno Bruto (PIB) na área. Pelos cálculos do relator Angelo Vanhoni (PT-PR), isso permitiria dobrar, no período, os investimentos públicos. Atualmente, o país aplica 5,1% do PIB, aí incluídos gastos dos municípios, estados e União. Segundo o IBGE, o PIB do país fechou em R$ 4,84 trilhões em 2013.

A votação dos destaques do projeto segue hoje. Depois de concluída, o texto será encaminhado para apreciação do plenário da Câmara. “A mudança do piso de investimentos na área de educação somente pode mudar no plenário. Nessa comissão, o assunto já está encerrado”, disse Vanhoni, ao fim da votação. Hoje, o grupo deverá definir o que pode ser considerado como gasto em educação. Um destaque sugere que investimentos em programas de financiamento estudantil, como Fies, em escolas especiais (destinadas, por exemplo, para pessoas com deficiência visual ou auditiva) e o Ciência sem Fronteiras fiquem fora da conta. O texto base, no entanto, permite que essa inclusão seja feita.

A definição sobre o que é gasto em educação é o último ponto polêmico a ser apreciado pela comissão. Ontem, a polêmica ficou por conta das regras do texto relacionadas à discriminação. O texto do relator recuperava a versão que já havia sido aprovada na Casa e que numa segunda etapa foi alterada pelo Senado.

Discriminação

Em um dos artigos, o texto previa que as diretrizes do ensino deveriam superar as desigualdades em quatro eixos: racial, regional, de gênero e de orientação sexual. Venceu a versão mais genérica, formulada no Senado, que determina “a erradicação de todas as formas de discriminação.”

A votação foi marcada pela participação de representantes de movimentos sociais, favoráveis a um texto que fazia menção direta ao combate das formas de discriminação provocadas pela orientação sexual, e por grupos religiosos, que defendiam a versão mais genérica.

 

Prevenção contra a discriminação ainda consta do texto

 

Diego Antonelli

Apesar da adoção de um 2.º artigo do PNE mais genérico, que substituiu o texto cunhado na Câmara – “superação das desigualdades educacionais, com ênfase na promoção de igualdade racial, regional, de gênero e de orientação sexual” – por outro formulado no Senado –”promoção da cidadania e na erradicação de todas as formas de discriminação” –, a discussão acerca do tema não está encerrada. Uma das estratégias do PNE, que será discutida na sessão de hoje da comissão especial, ainda prevê a implementação de políticas que previnam a “evasão motivada por preconceito e discriminação racial, por orientação sexual ou identidade de gênero”.

Para Felipe Nery, professor e presidente do Observatório Interamericano de Biopolítica, o plano não pode recair em ideologias. “É uma questão técnica. Biologicamente existem homens e mulheres. A escola precisa ter um discurso real. É ilógico que essa questão de gêneros seja tratada por um viés de construção social”, assinala Nery.

Avanço

No entanto, o doutor em Educação e professor da USP, Ocimar Alavarse, acredita que o fato de a lei aceitar a igualdade de gêneros e orientação sexual colaboraria para a realização de políticas públicas dentro do ambiente escolar. “Seria um avanço. Os jovens homossexuais, por exemplo, sofrem muito preconceito na escola. Com a lei poderiam ser realizadas semanas pedagógicas abordando o tema para tentar quebrar a discriminação. Além disso, materiais didáticos poderiam colaborar para se discutir o tema em sala”, afirma.

Para a professora Marina Reidel, que fez mestrado sobre o tema na UFRGS, a inclusão deste tópico seria um avanço na sociedade. “Cerca de 70% dos alunos que são homossexuais ou transexuais abandonam a escola e não conseguem se aperfeiçoar profissionalmente. Seria no ambiente escolar que esse assunto deveria ser debatido, com palestras, grupos de trabalho e outras atividades”, ressalta.

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Financiamento

Cidades e estados torcem por padrão de investimento por aluno

Jônatas Dias Lima

Entre os pontos do PNE, a implantação do Custo Aluno Qualidade (CAQ), prevista na meta 20, é uma das inovações mais aguardadas por estados e municípios, e deve ser discutida hoje pelos deputados. O conceito estipula um valor mínimo a ser investido por aluno para se garantir qualidade na educação, cálculo inexistente na atual legislação e que havia sido retirado do texto do plano na versão aprovada pelo Senado. O relatório final do deputado Ângelo Vanhoni, relator da proposta, retomou o conceito que já havia sido aprovado na primeira votação na Câmara.

Segundo o secretário de Estado da Educação, Paulo Schmidt, o CAQ é importante porque substitui o rateio simples de recursos voltados para a educação, com base no número de estudantes, e assegura um patamar mínimo de investimento, a ser subsidiado pela União, em cada estudante.

A mudança, diz Schmidt, é necessária porque as recentes alterações nas políticas de remuneração do magistério, como a Lei do Piso, têm sobrecarregado estados e municípios de modo desproporcional aos subsídios disponíveis. “Os salários dos professores têm crescido, os efeitos decorrentes das revisões das jornadas de trabalho também têm crescido, e os recursos destinados para a educação, não. Por isso precisamos de uma regra melhor do que a do Fundeb”.

O texto do Senado mantém regras de financiamento atuais, com ênfase no Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb). Mas, na opinião do deputado Vanhoni, falta precisão no sistema em vigência. “Os custos da educação são diversos, e o Fundeb não apresenta detalhes sobre o investimento por aluno. Com o CAQ isso fica mais preciso”. Para o deputado, a estipulação legal desse cálculo daria melhores condições de planejamento aos governos estaduais e municipais.

A estratégia 20.6 do PNE estabelece um prazo de dois anos para a definição de padrões e insumos a serem levados em conta na especificação do valor a ser investido por aluno.

Dormir bem para aprender melhor

Baixo desempenho escolar, falta de apetite pela manhã e irritabilidade são sintomas que indicam problemas com o sono

Publicado em 25/03/2014 | ADRIANA CZELUSNIAK

Além de comprovar que boas noites de sono contribuem para que crianças e adolescentes tenham disposição suficiente para encarar um dia de aula, estudos recentes destacam que dormir bem é necessário para a fixação dos conteúdos e consolidação do que foi aprendido. A qualidade do sono tem impacto na capacidade de concentração e na memória, o que acaba tendo efeito, cedo ou tarde, no desempenho escolar.

Segundo especialistas, os pais podem constatar com certa facilidade se o filho está dormindo o necessário. A mãe de Ana Carolina de Bona, 14 anos, por exemplo, desconfiava que os hábitos de sono da filha não eram bons desde que ela começou a estudar no período da manhã e passou a acordar às 6h30. Foi diante do boletim escolar “crítico” de Ana que a mãe decidiu agir. “Ela passou a ter notas vermelhas e a perder muito a primeira aula. Também estava irritada, mal humorada e tendo dores de cabeça”, conta a empresária Eliane de Bona.

Outros sinais que indicam que o sono não vai bem são a falta de apetite pela manhã e sonolência ao longo do dia, segundo o doutor em Neurociência Fernando Louzada, professor do Departamento de Fisiologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Ele comenta que a necessidade de sono varia em cada pessoa, mas a tendência é de o adolescente dormir mais tarde e ter necessidade de dormir por mais tempo.

Entretanto, é pequena a chance de as escolas brasileiras mudarem os horários das aulas para que os jovens possam estudar à tarde e dormir mais tempo pela manhã. A solução é se esforçar para que os estudantes estejam na cama o mais cedo possível. No caso de Ana Carolina e da maioria dos jovens, boa parte do problema seria resolvido se o hábito de ficar no celular ou no computador até altas horas fosse deixado de lado.

“Procuramos atendimento médico para resolver o problema do sono e tivemos mudanças em casa. Celular e computador são desligados 1h30 antes de ela se deitar e nada de refrigerante depois das 18 horas”, conta Eliane. Ana Carolina também teve de se empenhar em ir para a cama 15 minutos mais cedo a cada dia. Hoje, ela tenta dormir às 23 horas e não mais às 2 horas da madrugada, como fazia no ano passado.

Crianças

De acordo com a médica Adriane Zonato, coordenadora do Laboratório do Sono do Instituto Paranaense de Otorrinolaringologia (IPO), a privação do sono pode trazer sintomas diferentes a crianças e adultos. “A criança que dorme pouco acaba agindo de maneira hiperativa e fica irritada e com falta de concentração. Além disso, não comem pela manhã, que é o horário em que o corpo deveria se alimentar mais”, explica.

 

Sinais demoram para aparecer

O sono de crianças e adolescentes pode ser uma armadilha, segundo o especialista em Psicologia Clínica na área comportamental Carlos Esteves. Ele explica que, no início, quando o estudante começa a reduzir suas horas de sono, ele não percebe o comprometimento no ciclo de vigília ou período ativo. “Com o passar dos dias, esse processo se torna crônico, ao ponto de afetar completamente o esforço dedicado aos estudos em alguns casos. Isto é: aquilo que foi aprendido na escola pode ser comprometido e podemos pensar em consequências nos estudos, na concentração e no desempenho escolar”, afirma. Outro fator mais ligado aos adolescentes, que geralmente enfrentam pressão pré-vestibular, é o excesso de estudo em momentos que deveriam ser de descanso. “A quantidade de horas em atividade não deveria ser um indicativo de desempenho, visto que, a partir de um ponto, todo organismo irá incorrer em uma saturação física e emocional”, completa o psicólogo.

Dormindo com os anjos

Confira algumas dicas para garantir uma boa noite de sono:

Prepare-se

O processo do ciclo do sono requer uma fase de relaxamento. Antes de ir para a cama, o jovem precisa estar com suas atividades físicas e cognitivas desaceleradas. É importante estar desconectado do computador duas horas antes de se deitar, principalmente evitando jogos que exijam estratégias competitivas.

Cuide da iluminação

A luz do celular ou do tablete é suficiente para que o cérebro entenda que ainda é momento de atividade. A telinha iluminada é capaz de atrasar a produção de melatonina e, com isso, o início do sono. Se ainda não está conseguindo dormir, o ideal é ter uma luz suave no quarto e aproveitar para ler um livro – impresso.

Alimentação

Refeições pesadas à noite e a ingestão de bebidas estimulantes atrasam a hora do sono ou atrapalham a qualidade do descanso. Refrigerantes com cafeína devem ser evitados antes do início da noite, assim como chás mate, preto, branco e verde.

Hora de acordar

Pela manhã, é importante “avisar” o cérebro que o dia começou. Para isso, basta abrir as janelas ou cortinas para que se tenha acesso à luz da manhã. Um banho também pode ajudar. E não adianta fazer isso apenas durante a semana. O hábito deve ser mantido no fim de semana, caso contrário, os primeiros dias da semana serão sofridos para retornar à rotina.

Bons hábitos

Por falar em rotina, ela é importante especialmente para os mais jovens. Se a hora de ir para a cama se aproxima, um ritual deve ser frequente. Colocar o pijama, escovar os dentes, ler um livro ou ouvir histórias são ações que criam um clima favorável para dormir. Tudo deve ser harmonioso. Se esse momento for de briga e reclamação, provavelmente será ainda mais difícil pegar no sono.

 
Sesta

Um estudo recente, conduzido na UFPR, avaliou a importância do sono diurno. Uma das constatações revela que dormir a sesta dobra a chance de se resolver um problema de videogame. O resultado, segundo o orientador da pesquisa, Fernando Louzada, mostra que esse cochilo seria um facilitador do insight, que leva a encontrar solução para problemas do cotidiano.

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