MINISTÉRIO DA SAÚDE
Assessoria de Comunicação Social
Divisão de Imprensa

ENTREVISTA SOBRE SITUAÇÃO DA INFLUENZA A (H1N1) NO BRASIL
15 de julho de 2009

Em primeiro lugar, quero voltar a registrar um ponto muito importante, que já ressaltei em outros momentos e que é o centro de nossa estratégia desde o começo: todas as ações que o Brasil tem tomado, desde o início da transmissão do novo vírus no mundo, são baseadas em recomendações da Organização Mundial da Saúde e em evidências científicas.

Aliás, temos inclusive nos antecipando às recomendações da OMS, sempre preocupados em retardar a disseminação da doença no Brasil e garantir tratamento ágil e adequado a todos os que precisam.

Isso ocorreu, por exemplo, quando anunciamos, há exatos 20 dias, que mudaríamos algumas das recomendações referentes ao novo vírus para nos preparar adequadamente para um novo cenário que poderia ocorrer.

Naquele momento, quais eram os desafios?

Como o número de casos da nova gripe começava a aumentar, precisávamos deixar a rede de saúde preparada para garantir atendimento rápido a pacientes com quadro grave ou com potencial de complicações e evitar superlotação de hospitais de referência com casos leves, que se recuperam rapidamente e que, por isso mesmo, não precisam de internação.

Assim, anunciamos, no dia 26 de junho, o que a OMS iria recomendar a todos os países três dias depois: que o enfoque principal da vigilância mudaria, que as pessoas com sintomas leves de gripe deveriam buscar seu médico ou um posto de saúde, reservando os hospitais de referência para doentes com complicações. E que os exames laboratoriais deveriam servir, a partir daquele momento, para comprovar a existência do vírus em casos graves, para confirmar surtos da doença ou para confirmar infecções em novas áreas.

Com essas medidas, que em seguida passaram a ser recomendadas pela OMS, o Brasil se preparou com antecedência para o momento de hoje.

E que momento é este? No acompanhamento que realizamos diariamente, até então, todos os pacientes confirmados no Brasil mantinham a característica de ter visitado países em que há circulação do vírus ou contato com pessoas que voltaram de viagens internacionais.

No dia de hoje, confirmamos o primeiro caso de transmissão da Influenza A (H1N1) no Brasil sem esse tipo de vínculo.

Trata-se de paciente do Estado de São Paulo, que morreu no último dia 30 de junho.

Esse caso nos dá a primeira evidência de que o novo vírus está em circulação em território nacional.

Mas volto a repetir: todas as estratégias que tínhamos que tomar para este momento já foram tomadas há quase três semanas. O Brasil se antecipou. A atualização constante de nossas ações contra a nova gripe permitiu que, neste momento, toda a rede de saúde esteja integrada para manter e reforçar as medidas de atenção à população.

Chamo a atenção que este é um fenômeno esperado na transmissão, particularmente com as características dos vírus influenza, que já vem ocorrendo em outros países. Segundo a OMS, há oito países em que a transmissão do vírus é considerada sustentada: Estados Unidos, México, Canadá, Chile, Argentina, Austrália e Reino Unido.

No mundo, 112 países no mundo registraram casos da gripe A (H1N1) em um total de 119.334 notificações confirmadas e uma soma de 591 mortes. No topo da lista, estão os Estados Unidos, com cerca de 37 mil casos confirmados, o México, com 12.645, e o Reino Unido, com 9.718.

Nossos vizinhos Chile e Argentina possuem 9.549 casos e 25 mortes e 3.056 casos e 137 mortes, respectivamente. O Brasil possui 1.175 casos notificados, conforme o último boletim, divulgado ontem. Desses casos, é importante ressaltar, a maioria absoluta já está curada ou está em processo de recuperação.

Mas, como temos informado desde o início, se é verdade que a maioria das pessoas com a nova gripe apresenta sintomas leves, algumas, infelizmente, evoluem para casos graves da doença.

Com relação a isso, o Ministério da Saúde foi notificado hoje do resultado dos exames de cinco mortes que estavam em investigação no Rio Grande do Sul. Além disso, foi notificado da primeira morte no Rio de Janeiro de paciente com Influenza A (H1N1) e de uma morte em São Paulo.

É importante frisar que os exames laboratoriais ficaram prontos hoje, mas as mortes não ocorreram todas no mesmo dia. No Rio Grande do Sul, uma morte ocorreu em 8 de julho, outra em 11 de julho, uma em 15 de julho e outra em 16 de julho.

A nova vítima de São Paulo morreu em 11 de julho. E a morte no Rio de Janeiro ocorreu em 14 de julho.

Dos sete pacientes que vieram a falecer, pelo menos quatro apresentavam doenças pré-existentes.

Com as mortes notificadas hoje, o número de óbitos no Brasil chega a 11:
– 7 no Rio Grande do Sul;
– 3 em São Paulo e
– 1 no Rio de Janeiro.

A situação no Rio Grande do Sul, pela proximidade com a Argentina e também pela situação climática, onde o inverno é mais rigoroso do que nas outras regiões do Brasil, é a que vem inspirando mais cuidados das autoridades públicas.

Na semana passada, estive no Estado e anunciei um reforço de R$ 2 milhões para as ações de controle da influenza A (H1N1) e assistência à população durante esse período. O objetivo é garantir à população o atendimento, tratamento e prevenção da doença.

Desde 3 de julho, temos uma equipe do EPISUS (Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do SUS) apoiando no trabalho de investigação dos casos e óbitos com suspeita de infecção pelo vírus da nova gripe, no Rio Grande do Sul. Uma outra equipe do Ministério da Saúde está seguindo para o Estado para reforçar as ações de vigilância. A preocupação do Ministério da Saúde é oferecer total apoio às autoridades locais no enfrentamento da doença, inclusive com suporte à preparação de outros profisisonais para atuar na rede de saúde.

Também estamos enviando nova remessa de medicamentos, suficientes para 1.000 tratamentos. E orientamos o Estado a realizar quimioprofilaxia (prescrever remédio) aos profissionais de saúde que tiveram contatos com secreções, seguindo estritamente as indicações do protocolo elaborado pelo Ministério da Saúde.

Além disso, quero reforçar que estamos reforçando as ações de comunicação em todo o país para continuar a informar e orientar os brasileiros em relação ao novo vírus. Sobre esse assunto, aliás, é importante que se diga que o Ministério da Saúde determinou a realização de uma pesquisa para avaliar as necessidades de informação sobre a Influenza A (H1N1) no Brasil.

Os resultados mostram que estamos no caminho certo: 66% dos entrevistados conhecem os sintomas da gripe A (H1N1) e 75% viram propaganda que fala sobre os cuidados em relação à doença. Além disso, 67% avaliam de forma positiva a comunicação do Ministério da Saúde com respeito ao tema.
Essas ações de comunicação vão continuar e, mais do que isso, serão reforçadas. No próximo dia 21 de julho, irá ao ar uma nova etapa da campanha para reforçar as informações sobre as mudanças de protocolo do Ministério da Saúde. Uma iniciativa importante para manter a população esclarecida, e que terá um reforço nas áreas de fronteira do Brasil com países do Mercosul.

Para finalizar, é importante que se reforce os seguintes pontos:

A OMS declarou que não há indícios de que o vírus esteja se combinando geneticamente com outros, o que, até o momento, mantém certa estabilidade na evolução da doença.

Assim, conforme informou ontem a diretora da Organização Pan-Americana de Saúde em pronunciamento, na Argentina, o cenário atual requer medidas que tenham por objetivo a priorização da assistência aos casos graves ou aqueles que tenham potencial de complicação.

Isso reafirma as medidas que tomamos quanto ao tratamento e recomendações que vínhamos adotando.

Serão tratadas com o medicamento específico todas as pessoas, de qualquer idade, com doença respiratória aguda caracterizada por febre elevada, acompanhada de tosse OU dor de garganta E falta de ar ou vários sinais e sintomas descritos no protocolo do Ministério da Saúe.

Isso independe do resultado do exame laboratorial. Ou seja, a confirmação da doença pelos laboratórios serve para monitorar a doença, mas não para determinar o tratamento. O tratamento para cada caso é definido pelos sintomas que a pessoa apresenta, não pelo resultado do exame de laboratório.

O Ministério da Saúde alerta que todos os indivíduos com síndrome gripal que apresentam fator de risco para as complicações de influenza, requerem – obrigatoriamente – avaliação e monitoramento clínico constante de seu médico assistente, para indicação ou não de tratamento com Oseltamivir, além da adoção de todas as demais medidas terapêuticas.

Volto a dizer que todas as pessoas que apresentarem sintomas de gripe procurem um posto de saúde ou seu médico de confiança. São esses profissionais que farão a avaliação do seu estado de saúde e indicarão o melhor tratamento.

Repito: os hospitais de referência têm que estar disponíveis para os casos que inspirem mais cuidados. Quem tiver sintomas de gripe não deve procurar o hospital, mas um posto de saúde ou seu médico de confiança.

Reforço também que, para evitar a doença, alguns cuidados básicos de higiene podem ser tomados, como: lavar bem as mãos com água e sabão e que o hábito seja freqüente. Também é importante cobrir a boca e o nariz com lenço descartável ao tossir ou espirrar e não compartilhar copos, pratos e talheres.

Atualmente, o Brasil possui 68 hospitais de referência para tratamento de pacientes graves infectados pelo novo vírus. Nestas unidades, há cerca de mil leitos com isolamento adequado para atender aos casos que necessitem de internação.

O Ministério da Saúde possui estoque suficiente de medicamento para tratamento de todos os casos indicados. Como os senhores já sabem, temos matéria-prima para produzir mais nove milhões de tratamentos.

Quero também anunciar que devemos receber, na próxima semana, mais 50 mil doses do antiviral oseltamivir. Essa remessa faz parte de uma compra de 800 mil tratamentos que fizemos da empresa fabricante. Mais 50 mil doses deverão ser entregues no dia 15 de setembro e, o restante, até o final daquele mês.

Ainda como forma para reforçar a rede de assistência do país para tratar os doentes, estamos adquirindo 160 kits compostos por um respirador e um monitor, que serão distribuídos aos centros de referência de todo o país.

Estamos acompanhando passo a passo, 24 horas por dia, 7 dias da semana, os desdobramentos da influenza A (H1N1) no Brasil e no mundo. O governo federal, através do Ministério da Saúde, em parceria com as secretarias estaduais e municipais de saúde, está em plena ação para proteger a população.