Durante o mês de julho de 2008, quando ainda não havia notificação da Influenza A (H1N1), o estado registrou 263 mortes por gripes e doenças respiratórias. No mesmo período desde ano, a nova gripe matou 31 pessoas

11/08/2009 | 20:39 | Fernanda Leitóles

O número de mortes por gripes e doenças respiratórias no Paraná caiu no último mês em relação ao ano passado. De acordo com dados da Secretaria Estadual de Saúde (SESA), divulgados nesta terça-feira (11), os vírus Influenza (gripes) e suas complicações (pneumonia viral e bacteriana) causaram 263 mortes em julho de 2008, quando ainda não havia sido detectada a gripe A (H1N1). Neste ano, foram 128 mortes (somando a gripe suína), o que equivale a uma redução de 51% no número de óbitos no mês de julho.

Somente a nova gripe, que está concentrando os esforços dos órgãos de saúde, matou 31 pessoas no mesmo período em 2009. Com isso, pode-se afirmar que a Influenza A foi responsável por 25% dos óbitos por gripes que aconteceram em julho desse ano. A estatística foi feita com base no levantamento atualizado em 5 de agosto pela SESA.

Os dados incluem mortes por gripes comuns (e outras Influenza) e por pneumonia viral e bacteriana. A pneumonia viral é uma complicação direta da gripe, já a bacteriana pode ou não ter relação. “O vírus da gripe deixa o organismo fraco, o que facilita a entrada de bactérias. Por isso o paciente pode ser acometido por pneumonia bacteriana”, explicou a médica infectologista Carla Regina Martins, do Hospital Pilar.

A médica afirmou também que o vírus H1N1 é semelhante aos demais vírus Influenza. No entanto, apresenta maior transmissibilidade. Ou seja, pode se disseminar com maior velocidade e de forma mais fácil. “É por isso que o vírus da nova gripe tem direcionado as ações das autoridades de saúde pública”, afirmou a médica.

Além de as mortes neste ano estarem menores, o índice de cura das pessoas que foram contaminadas com o vírus H1N1 é alto. “Cerca de 98% das pessoas que contraíram a doença se curaram sem serem internadas em hospitais”, afirmou o secretário estadual de Saúde, Gilberto Martin, durante a Escola de Governo – reunião semanal do secretariado.

o infectologista Alceu Fontana Pacheco Júnior, médico-chefe do Serviço de Epidemiologia do Hospital Evangélico e presidente da Sociedade Paranaense de Infectologia, destacou que uma das principais diferenciações entre o vírus da gripe suína e o comum é que o primeiro apresenta maior agressividade do que o segundo.

De acordo com o médico, o vírus comum deixa o organismo debilitado e isso facilita complicações. “Nos casos da gripe comum em que houve mortes, geralmente, os pacientes tiveram outras infecções causadas por bactérias”, afirmou Pacheco Júnior. Já no caso da gripe suína, o vírus H1N1 – por si só – tem a capacidade de causar complicações.

Carla salientou ainda que nos anos anteriores houve muitas mortes ocasionadas pelos vírus Influenza, no entanto os números não eram tão divulgados. Isso ocorria também porque a transmissibilidade desses vírus não é tão rápida quanto ao do H1N1. Além disso, a nova gripe foi classificada como pandemia, o que não aconteceu com as demais.

Os dados da SESA dão conta de que em 2008 o número de mortes no Paraná por causa de gripe e suas complicações chegou a 2.396; em 2007 foram 2.265 óbitos; e em 2006 foram 2.439.

Mortalidade

O Ministério da Saúde (MS) confirmou nesta terça-feira (11) três novas mortes por gripe A no Paraná. O total de óbitos no estado chegou a 42. Não havia informações sobre as regionais de saúde das novas mortes. A taxa de mortalidade da nova gripe no Paraná é de 0,39 (por 100 mil habitantes).

Segundo o MS, o Paraná é o terceiro estado brasileiro em número de mortes por causa da gripe suína, ficando atrás de São Paulo (75 óbitos) e Rio Grande do Sul (44 óbitos). O Brasil já registrou 192 mortes por gripe A.