Enquanto Curitiba e Cascavel registram diminuição de casos, em outras regionais do Paraná a gripe A começa a aparecer

28/08/2009 | 00:08 | Bruna Maestri Walter - Colaboraram Luiz Carlos da Cruz, Maurício Borges e Osmar Nunes

Cada região do Paraná tem um cenário diferente de incidência da gripe A (H1N1), mais conhecida como gripe suína. Em pelo menos 40 cidades, a nova gripe não chegou nem na forma de suspeita, se­­gundo a última análise epidemiológica. As regiões de Irati e Ivaiporã começaram nessa semana a registrar mortes – enquanto is­­­so, a região de Umua­­rama não tem nenhum óbito. Ao mesmo tem­­­­­po, municípios com mais ca­­sos e mortes, como Curitiba e Cas­­cavel, sinalizam que o pior já passou.

Quando Curitiba e municípios da região metropolitana registravam 706 casos e 32 mortes, a regional de saúde de Ivaiporã, no Centro-Norte do estado, confirmou o primeiro caso. De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), a densidade populacional e o clima determinam como o vírus circula em cada re­­gião – de forma mais ou menos intensa.

O secretário municipal da Saúde de Ivaiporã, Jayme Ayres da Silva, afirma que a baixa incidência se deve ao aspecto po­­pulacional – a região é menos densa demo­gra­­­ficamente – e às medidas de pre­­­venção. Entre elas, estão a orientação em programas de rádio e a recomendação de suspensão de aulas e de afastamento de gestantes do trabalho. A cidade tem atualmente um caso suspeito por dia.

Se em Ivaiporã a sensação é de tranquilidade, em Umuarama é de desconfiança. A regional de saúde de Umuarama, que abrange 21 mu­­nicípios, é a que registra menos casos confirmados – nove no to­­tal. Quando existiam apenas oito casos confirmados na região, 140 kits com o medicamento Tamiflu já tinham sido distribuídos.

Entre a comunidade há a desconfiança de que uma mulher morreu pela doença no dia 13 de agosto. No atestado de óbito da vítima, a causa da morte é “insuficiência respiratória aguda e broncoinfecção”. Segundo a coordenadora municipal da Vigilância em Saúde, Renata Pitito, a paciente teria outros problemas graves de saúde e morreu ao ser atacada pela gripe – o hospital entendeu que não seria necessário fazer o exame.

Os gestores dizem que os médicos estão orientados a seguir os critérios do Ministério da Saúde. “Ninguém está orientado a esconder nada”, afirma o chefe da regional de Umuarama, Armando Cerci Júnior. Segundo a Secretaria de Estado, todo e qualquer óbito por doença respiratória aguda grave é investigado e não há como ter subnotificação nesta situação.

Mobilização

Em cidades como Apucarana, no Norte Central, as medidas começam a ser intensificadas agora. Na última terça-feira, a prefeitura de Apucarana montou barracas no pátio das 23 unidades de saúde para atender pacientes com sintomas da gripe. Por meio de triagem, os pacientes são separados já no portão de acesso aos postos.

Em Cascavel, na Região Oeste, ocorre o oposto: a estrutura montada no centro de convenções será desmontada. O local, que chegou a atender até 420 pessoas por dia, está atendendo nessa semana uma média de 80 pacientes diariamente. A região tem 14 mortes.

A Secretaria Municipal de Saúde pretende voltar a atender em local menor e não pensa em tomar decisões mais drásticas, como as do início do mês. Uma de­las foi a distribuição de 20 mil más­caras para torcedores que assistiram ao jogo entre Coritiba e San­tos pelo Cam­­peonato Brasileiro. Outra decisão determinou o fim das ações do comitê criado para o enfrentamento da doença, que mandou fechar locais onde havia aglomeração de pessoas.

Assim como em Cascavel, a tendência de queda de casos está se mantendo em Curitiba. Na última semana foram feitas 63.865 consultas na rede pública, das quais 14.098 eram por doenças do aparelho respiratório, incluindo a nova gripe. O índice está em 22%, enquanto em julho o percentual estava em 31,3%. Curitiba e região registram 63 mortes pela nova gripe, o maior número do estado.

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, há indícios de que a transmissão da doença pode estar começando a diminuir de maneira geral no estado. A mudança climática, com a aproximação do fim do inverno, certamente trará impacto e redução da transmissão, diz o órgão. O estado está com 170 mortes pela gripe A, registradas entre 14 de julho e 24 de agosto.