Vale o esforço na hora de optar por uma instituição, mas é preciso saber duas coisas: a vida escolar deve ser acompanhada e não existem escolas perfeitas

SILVIA M. GASPARIAN COLELLO – O Estado de S.Paulo

Entre as responsabilidades atribuídas aos pais, a escolha da escola costuma ser uma tarefa árdua e, por vezes, até desgastante. Isso porque a escola representa a passagem da vida familiar para a vida social; é exatamente a primeira porta por onde os filhos saem de casa. Daí a tensão para pais que, nesse quesito, não se dão o direito de errar.

Embora a responsabilidade pela escolha seja dos pais, é certo que a participação dos filhos é indispensável em qualquer faixa etária. Levar uma criança de 2 anos para conhecer sua futura escola é parte do processo de escolha, não só pela oportunidade de apresentar a ela o que é uma escola, como também para observar o seu comportamento naquele espaço e na relação com as pessoas. No caso de crianças mais velhas, essa negociação deve ser progressivamente ampliada até que, na adolescência, a opção seja partilhada entre pais e filhos.

O que torna a escolha minimamente segura é a possibilidade de se colocar diferentes critérios na balança. Entre os mais objetivos, podemos destacar: disponibilidade de vagas, procedimentos de seleção, valor da mensalidade, custos com material e uniforme, distância da casa, compatibilidade de horários, segurança, infraestrutura e higiene. Outros critérios nem sempre são evidentes: princípios pedagógicos, metas de formação, qualidade do ensino e do material, adequação metodológica, proposta de avaliação, qualificação dos profissionais, equilíbrio das normas disciplinares e formas de relação com a família.

É, enfim, o projeto pedagógico que deve ser conhecido e avaliado e, para tanto, não há outro meio que não seja um levantamento das escolas e uma visita. É indispensável conversar com um educador responsável pela escola para compreender as diretrizes do projeto e a coerência do trabalho. Os pais têm o direito de perguntar e a escola, a obrigação de explicitar o funcionamento da instituição.

Vale o esforço, o bom senso e as boas intenções, mas só se pode contar com duas certezas: a de que a questão será apenas provisoriamente resolvida, já que a vida escolar deve ser acompanhada ano após ano, e a de que, por melhor que seja a escola, a opção não será 100% acertada. Afinal, não existem escolas perfeitas.