Freud escreveu em 1910: “A escola não deve assumir o caráter inexorável da vida; não deve ser mais que um jogo de vida“.

A entrada da escola costuma marcar para as crianças uma radical divisão entre prazer e dever. Há nisso uma preciosa ilusão, que daí por diante terá efeitos cada vez maiores: que o trabalho deve excluir o prazer. NOssa vida pauta-se por essa ilusão, sofremos a semana à espera do fim de semana, o ano à espera das férias. É claro que não precisaria ser assim e que isso não torna o trabalho mais eficiente. Talvez nossa maior fonte de prazer possa ser o trabalho, o estudo incluído. Creio que a escola deve servir para a integração inteligente de prazer e trabalho, pois mesmo o prazer requer método, e limites.

A propósito, retirei a frase de Freud de um pequeno escrito chamado: “Sobre o Suicídio, Especialmente entre os Escolares“.

Fabio Hermann (Psicanalista, São Paulo).


Na Grécia antiga, os filósofos reuniam pessoas em torno de si para questionar sobre vários temas de interesse da humanidade, em qualquer lugar e a qualquer hora. mesmo nas tribos mais primitivas, o conhecimento se faz  presente. Os mais velhos ensinaram aos mais novos defesa, a procura do alimento, o seu preparo, a fabricação de ferramentas e utensílios adequados à situação imposta pelas suas necessidades.

Em qualquer época e em qualquer civilização, sempre existiu um centro que foi o pólo irradiador de conhecimentos. Nos tempos modernos esse centro chama-se escola e serve para a transmissão de conhecimentos como via de mão única aos alunos, de forma padronizada, com fórmulas prontas, programas rígidos e o ensino centrado no docente, que impõe o que sabe e até recompensa o conformismo de seus discentes.

A escola do próximo milênio, entretanto, servirá como um centro de troca de conhecimentos, pois o docente não dará ênfase ao conteúdo e à aquisição de conhecimentos certos. A ênfase será centrada no “aprender a aprender” e será proporcionada uma abertura a novos conceitos, com a participação ativa do discente opinando, e até discordando, com críticas construtivas àquilo que está sendo trabalhado.

Cel. Marino Luiz da Rosa (Comandante do Colégio Militar de Porto Alegre).


Escola serve para propiciar conhecimentos que, por sua complexidade, não conseguem ser aprendidos sem professor, sem planejamento e sem sistematização.

Questões amplas de ética, sexualidade, princípios políticos-filosóficos de vida, perpassam todos os momentos de aprendizagem de uma pessoa e também serão repassados pela escola, mas não constituem o seu núcleo.

Esta provocação se faz através de espaços de problemas para campos conceituais das diversas disciplinas curriculares – Língua materna e estrangeira, Matemática, Estudos Sociais, Ciências Naturais, Música, Artes Plásticas, Teatro, dança, Educação Física e Técnicas, a partir da estabilidade espacial e temporal de grupos de aprendizagens, as turmas por séries, que são o locus das trocas interpessoais indispensáveis para dar conta de um aspectos central da natureza dos sujeitos que aprendem – isto é, seres “geneticamente sociais”.

A fuga desta responsabilidade específica da escola, o acesso ao poder do saber, é criminoso, sobretudo para com o alunado das camadas populares.

Esther Grossi (Doutora em Psicologia da Inteligência – Universidade de Paris; Deputada Federal PT-RS).


As escolas deveriam servir para ensinar, porém não cumprem esse papel, pois há muitos professores desqualificados e o sistema esta ultrapassado.

Adriana Souza, 23 anos (Estudante Universitária).


A escola é a formação básica de um ser humano, sem ela é impossível ser considerado alguém, basta olharmos ao nosso redor para ver a situação deste país: muita miséria, não só financeira, mas intelectual, um país onde pessoas são subordinadas por estúpidos sem escrúpulos e sem o mínimo de caráter. Só as pessoas inteligentes poderão mudar o rumo das coisas.

Solange Dalasso (Professora).

Fonte:

PARA que serve a escola? Revista Pátio, Porto Alegre, [s.v.], p.28, [s.d.]