Readaptação: a técnica de enfermagem Ana Paula Oliveira já sabe que o filho Henrique, 6 anos, faz de tudo para adiar a hora de se arrumar para a escola: garoto arruma desculpas para não se arrumar
Readaptação: a técnica de enfermagem Ana Paula Oliveira já sabe que o filho Henrique, 6 anos, faz de tudo para adiar a hora de se arrumar para a escola: garoto arruma desculpas para não se arrumar

Mandar as crianças de volta para a escola exige organização de pais e filhos. Conversa e planejamento podem minimizar os efeitos do estresse

Publicado em 25/01/2011 | ADRIANA CZELUSNIAK

No Paraná, quase 3 milhões de alunos se preparam para o início das aulas, período marcado por ansiedade e que pede planejamento para que o ano letivo comece livre de correrias. Com dois filhos, Pedro, 6 anos, e Sarah, 8, em uma escola municipal, e um bebê em casa, a ma­­quiadora profissional Caroline Ramos Costa, 30 anos, percebe o correr dos ponteiros do relógio. A maior preocupação para os próximos dias é a definição do transporte escolar. “Fico em casa com o Ângelo, que tem 11 meses, mas os outros dois irão para a escola em períodos diferentes”, diz. “Terei de contratar uma empresa de transporte, ou ficarei o dia todo em função de levar e buscar as crianças.” Caroline conta que também falta comprar o material escolar, mas que já começou a calcular os preços.

Nessa hora, os filhos também podem participar. Segundo a psicopedagoga Priscilla Santana Van Kan, diretora da Clinivida, os pais podem ajudar os filhos na escolha dos materiais e orientá-los na organização dos objetos que serão usados na aula, incluindo o uniforme escolar. “Isso pode evitar contratempos, atrasos e inconvenientes, como, já durante as aulas, ter de voltar em casa para buscar algo esquecido.”

A primeira preocupação de Caroline Costa com a volta dos filhos Pedro e Sarah (no meio) às aulas é com o transporte escolar
A primeira preocupação de Caroline Costa com a volta dos filhos Pedro e Sarah (no meio) às aulas é com o transporte escolar

Envolver crianças e adolescentes nos preparativos para a escola pode otimizar o tempo da família, mas também ajuda os pequenos a se tornarem mais confiantes e independentes. Priscilla também ressalta os benefícios de ensinar o filho a dividir o próprio tempo, o que pode começar antes das aulas. “É importante estipular um tempo para todas as atividades, como descanso, video game, estudar, assistir televisão, praticar esportes e demais atividades. A definição de horários promove a disciplina da criança, que mais tarde se tornará um adulto organizado e responsável”, diz.

Nesse sentido, a tática de Caroline já tem dado certo com os dois filhos maiores, que, mesmo em férias, mantêm a mesma rotina. “O horário de dormir é o mesmo. Fazemos isso para eles não estranharem muito depois”, conta. No caso de famílias em que o período de férias significa dormir tarde e acordar mais tarde ainda, a psicóloga Fernanda Roche, coordenadora do Espaço de Desen­­volvimento Criança em Foco, avisa que a volta aos eixos deve acontecer ao menos duas semanas antes do retorno à escola. “Esse período é importante para adaptar o ritmo biológico e emocional da criança”, afirma.

Paciência

A técnica em enfermagem Ana Paula Oliveira, 31 anos, deixa o filho Henrique, 6 anos, livre para curtir o tempo longe das aulas, e já sabe que vai precisar de uma dose extra de paciência com a volta do menino à escola. Assim que ela o chama para levantar e se arrumar começa o show da enrolação. “Ele não quer ficar quieto, fica pulando de um lado para o outro e sempre arrumando desculpas para adiar esse momento”, conta. Acostumado a acordar na hora do almoço, Henrique já está sendo preparado pela mãe para a mu­­dança de hábito. Dorme e acorda mais cedo para poder almoçar com tranquilidade e estar na escola em seguida, e sem atrasos, ao contrário do que acontecia durante o ano passado. “Ele vai para o primeiro ano, e não pode mais chegar depois do horário. Apesar de ele ser uma criança tranquila, quero ver qual será a sua reação nos primeiros dias de aula”, diz.

Lancheira deve ter alimentos saudáveis

Nem sempre os hábitos alimentares que os filhos adquirem nas férias podem acompanhar a lancheira. A informalidade do período longe da escola e as mudanças de ambiente são propícias para que as guloseimas sejam incluídas no cardápio. “Existe aquela tendência a agitação em jovens que consomem muito açúcar e, para muitos, as férias permitem mais refrigerantes, doces e outros alimentos pouco nutritivos. Por isso, ao menos uma semana antes das aulas é importante acostumar o organismo a um ritmo mais tranquilo, com alimentos mais saudáveis”, orienta a nutricionista clínica Marina Franco Basy.

O cumprimento das cinco ou seis refeições diárias recomendadas também deve ser observado. Ao ajudar o filho a acordar mais cedo – e não quase na hora do almoço – os pais devem ajudá-lo a respeitar o café da manhã e a refeição que equivale à da hora do lanche na escola. Envolver a criança com o preparo dos alimentos e sentar-se com ela durante as refeições sempre que for possível fazem uma grande diferença, segundo a nutricionista. “A alimentação dos pais é o espelho dos filhos. Sem a presença e o exemplo da família, a criança não se alimenta direito.” Se o tempo está passando e o filho não mostra apetite, é preciso paciência. O estresse e a correria prejudicam a mastigação, tiram o prazer da alimentação e do escasso tempo passado em família.