Pedro começou a usar o computador aos 4 anos para brincar com jogos. Hoje, aos 5, já sabe ler o que aparece na tela. Segundo a mãe, o estímulo da família foi fundamental
Pedro começou a usar o computador aos 4 anos para brincar com jogos. Hoje, aos 5, já sabe ler o que aparece na tela. Segundo a mãe, o estímulo da família foi fundamental

O computador é hoje a principal ferramenta que introduz as crianças no mundo das letras. Saiba o que muda com isso e como os pais e a escola devem encarar esta transformação

Publicado em 16/02/2011 | ANNA SIMAS

O computador está mudando o processo de alfabetização das crianças. O acesso fácil desde cedo – a partir dos três anos de idade, de acordo com educadores – incentiva os pequenos a ingressarem no mundo das letras muitas vezes antes mesmo de ter contato com a escola. “É uma geração que está muito à nossa frente em relação ao uso do computador e isso tende a crescer. Não faz mais sentido alfabetizar sem levar em conta essa vivência de informática”, diz o pós-doutor em educação, autor de livros sobre sociologia da educação e professor da Universidade de Brasília (UnB) Pedro Demo.

O uso precoce, porém, não deve preocupar os pais. Pelo contrário. Segundo os especialistas, faz parte da tendência inevitável de incorporar tecnologia à vida das crianças desde que nascem. Quando ela começa a ser alfabetizada na escola, por volta dos 5 anos – não está mais crua, ou seja, as letras não são mais novidade para ela. “Claro que essa mudança não é de hoje. Acontecia com outros meios, como televisão, brinquedos e outros objetos que ela tinha acesso em casa. Mas o que muda é que o computador entrou nisso e o contato com o mundo online, principalmente com jogos, desperta a curiosidade pela leitura e escrita”, explica a professora de linguística da Universidade de Cam­­pinas (Unicamp) Raquel Fiad.

Pedro Henrique Momm Maciel, 5 anos,é um exemplo típico desta mudança. Com 4 anos começou a usar o computador em casa para brincar com jogos. Aos poucos sentia necessidade de ler o que estava escrito na tela e perguntava para a família.”Um dia cheguei em casa e minha filha mais velha, de 9 anos, gritou: mãe, o Pedro está lendo. Não acreditei e fui correndo ver. Era verdade”, conta Raquel Momm, que também tem um importante papel na aprendizagem. Cada vez que Pedro quer acessar um determinado jogo, ela não digita o endereço do site para ele, mas faz com que ele mesmo escreva. “Soletro e faço achar cada letra no teclado. Assim ele percebeu a lógica da escrita”, diz.
No entanto, Raquel, que além de é diretora de escola, preocupou-se em não deixar que o único incentivo à leitura e escrita viesse do computador. Colocou etiquetas em muitos objetos do filho – meias, brinquedos, gavetas – com o nome de cada um em letra maiúscula, para que ele fosse aprendendo. Segundo ela (palavra de educadora), este é o comportamento ideal, pois tudo vai influenciar na aprendizagem, das cores dos brinquedos às legendas de filmes e desenhos que ela vê em casa. “Cada criança tem sensibilidade diferente. Uma aprende mais com um estímulo, outra com outro. Mas nenhum deles fará mal. Pelo contrário”.